E mais uns longos tempos passaram desde a última vez que escrevi algo. Não vou procurar justificar-me novamente pois penso que o que está feito, está feito. O que importa é que volto assim como o sol volta mesmo quando os nossos dias parecem viver de contínuas chuvas pesadas.
Hoje é a ti que te escrevo, não pela primeira vez nem pela segunda, mas pela vontade incessante que tenho de te mostrar por estes pequeníssimos gestos o turbilhão que sinto dentro de mim. Sabes que aqueles minutos que fico acordada durante a manhã antes de me levantar são aqueles em que te peço para me dares a tua força durante o dia que me espera, sabes que aqueles minutos que páro e olho para o céu são aqueles em que espero obter o sinal do teu presente naquele momento, sabes que aqueles minutos no escuro do anoitecer antes de adormecer são os minutos pelos quais te peço para descansares pois no dia seguinte preciso que me acordes novamente. E são assim que passam os meus dias, por vezes vidrada em outros assuntos mas com o meu braço sempre enrolado no teu pescoço. Sei que estás feliz porque tens pessoas fantásticas a cuidarem daquilo que tu, por motivos de distância, não o poderás jamais fazer. Sei que estás orgulhosa pelas vezes que fomos capazes de falar em ti e não deixarmos que uma lágrima caísse sobre o nosso rosto, pelas vezes que fomos a pessoa que tu sempre ensinaste-nos a ser. O meu sonho é o mesmo mas tenho mais um: ser como tu, tanto com os meus futuros filhos, com o meu futuro marido, com a minha futura família, com os meus futuros amigos, ser essa pessoa fantástica que tu és!
Só te peço que continues a ser o motivo de força contra todas as minhas adversidades, que sejas o meu pilar mais forte, que nunca deixes de nos guiar porque acredita que nós os três precisamos de tudo aquilo que tu ofereces todos os dias. Espero que estejas igualmente bem, num lugar que te faça sentir pelo menos segura. A fé de que um dia iremos nos encontrar está aqui, é essa fé que nos salva.